A alcateia
Aqui está um pedaço de uma canção denominada vida. Aqui é onde um pedaço de cada um se encontra. Acompanhem aqui nossas opiniões, poemas, dia a dia, experiencias musicais, livros, filmes e seriados, hq, mangas e anime. Sejam Bem Vindos.
segunda-feira, 30 de outubro de 2023
A dama de preto
quinta-feira, 25 de maio de 2023
Eu não sei por onde começar a escrever, a falar, a desabafar ou por qual motivo comecei a chorar ou por qual motivo devo chorar, entretanto, há uma voz em minha cabeça que me diz: "ainda não" e alguma coisa me faz acreditar que não devo chorar, é um erro, eu sei, isso pode adoecer a mente, o coração e alma, mas eu sigo.
Sigo para não decepcionar quem eu fui, para não decepcionar o meu eu quando criança, para não decepcionar o meu eu que ainda irei vir a ser, é confuso eu sei. Confuso tanto quanto o jeito que sigo. Sigo sem direção, assim como migrante que caça seus sonhos através de uma rodoviária lotada e não sabe em qual ônibus entrar e nem para onde aquela jornada pode vir a dar.
Sigo sem olhar para os lados focando apenas no "fazer as coisas direito", mas isso eu consigo fracassar, assim como uma missão de RPG que não pode ser cumprida e para a minha sorte, essa missão não é o suficiente para travar todo o jogo.
Confesso também que sigo o meu caminho com medo, e é uma verdade, o medo de não ser bom o suficiente; o medo de não ser aquilo que havia prometido a mim mesmo que seria; o medo de decepcionar aqueles que amo; medo de quebrar as minhas promessas e juramento por fraqueza ou luxúria, eu sei o que quero ser, mas nunca me perguntaram como será feito e quando ainda me questionam, pensam que eu possuo um plano e a verdade é que eu não tenho nenhum plano, apenas medos, traumas, inseguranças e uma vontade descomunal de colocar para fora toda a angústia de ter dado conta de tanta responsabilidade sozinho.
Mas ainda não é o momento, lembre-se sempre disso, nunca é o momento ideal, não será no seu serviço, na rua, no bar, nos braços de quem te ama, em sua casa, em sua sessão de análise, não não, não será possível expor a sua angústia, porque expomos nossas fraquezas e eu não quero parecer fraco ou menos potente do que sou, mesmo que isso me cause tantos prejuízos quanto posso mencionar aqui.
Não há um lugar para desabafar, não há um plano efetivo, me resta apenas carregar o meu orgulho e seguir o caminho como se nada me abalasse, mesmo que com medo, eu tenho que continuar, sozinho, mas continuo, porque essa é a minha tarefa e a minha promessa a mim mesmo, continue.
#Drake
domingo, 8 de agosto de 2021
Vamos dar uma volta Camille
- Camille, inicialmente queria pedir desculpas, eu sou péssimo com inícios, sei que pode parecer estranho, mas já tem um tempo que não tenho uma conversa franca com alguém, pois bem, acho melhor irmos caminhando, aproveitar o clima agradável que com certeza não durará por muito tempo.
Estendi a minha mão para que Camille tivesse um apoio para se levantar, mas não que ela precise, afinal, ela possui força para isso e dessa forma, fomos caminhando pela praia totalmente vazia, em plena terça-feira, sem um destino predeterminado em um entardecer das 15h e sem pressa para ir embora, como se tivéssemos a vida inteira e uma areia infinita para que possamos andar sobre ela.
- Pois bem Camille, pode ser que somente eu fale, afinal, nem tudo é real, eu te trouxe aqui para poder me lembrar do que eu sou feito, pois quem sou, tenho um breve devaneio sobre isso; quem me tornei foi inevitável, afinal, minhas escolhas foram decididas a partir do meu instinto, então quem me tornei é tudo aquilo que quis, mas tolo eu seria se não lembrasse de todos os participante da minha história. Quem eu fui, já não interessa mais, pois o mesmo se foi, e engana-se quem diz que foi sozinho, foi com a companhia dos meus sonhos, minha vida, meus conceitos, valores, esperança, pelo que? Pelo prazer de ser o que eu mais quis ser, um homem velho e solitário, loucura minha? Quem saberá? Confesso Camille que também vou me arrepender do que dizer e sei que deveria reelaborar o que já falei ou escrevi, mas sinceramente, eu não me importo, acho que aquilo dito no instinto sem pensar constantemente é o que mais nos aproxima da nossa natureza. Eu pensei em te dar uma voz nesse monólogo, mas é inviável, tendo em vista que não há um único pedaço em mim que quer te dar voz e me fazer questionar o que eu fiz ou a sua função ou o seu papel aqui, pois bem Camille, você é a parte dessa fantasia que mais dá voz a minha angústia. Não posso te imaginar enquanto ser humano, porque eu só consigo visualizar a Dolores de WestWorld, mas não cabe a ela o papel em minhas fantasias. Eu só sei que você não possui uma forma física também, é só um ser humanoide, mas sem definições, enquanto descrevia onde estávamos, eu alegorizei você vestindo um biquíni vermelho, cabelos loiros, mas não ouvi a sua voz e mais uma vez sendo sincero com você, não consigo ouvir a voz de ninguém, eu não tenho mais vontade pra ouvir a voz de alguém, mesmo que eu a ame. Exposto isso, acho que começamos a trilhar o meu real interesse tanto em você como nesse monólogo... A verdade é que quem eu fui pra quem me tornei, foi literalmente da água para o vinho e ok até então, mas o problema encontra-se justamente nesse cenário. Eu aos poucos estou encarando a realidade de forma decadente, onde nenhum ato de bondade, benevolência, humanidade me cativa e no decorrer dos meus dias, eu vejo humanos mais próximos dos animais, não de um sentido fofo e carinhoso, como deveria ser, mas sim, como animais que emitem um som vazio e sem sentido, como se fossem porcos grunhindo. Qual é a real intenção de alguém em provocar a dor no outro? Não era esse ponto ainda que queria apresentar nesse atual momento, mas adentraremos a fundo no assunto e por sorte retornamos a essa perspectiva... Afinal, como o ser humano pode ser o soberano na cadeia alimentar e se comportar de modo ríspido ou inacessível frente ao seu igual? Hipócrita eu seria se não pensasse no que fiz no final de semana passado, entretanto... eu acho válido continuar em um próximo momento, talvez um em que eu estivesse anestesiado.
Drake